Artigo publicado no Jornal Correio Capixaba: www.jornalcorreiocapixaba.com.br
Um dos mais respeitados gurus do marketing mundial, o especialista pioneiro em neurociência e branding Martin Lindstrom, presidente da Lindstrom Company, colocou empresários e executivos presentes à HSM ExpoManagement 2011, em São Paulo, para pensar: Sua empresa desperta o desejo do consumidor? Quais dos cinco sentidos ela instiga nos clientes?
Para Lindstrom, ao conceber uma marca é recomendável unir os aspectos práticos e objetivos aos aspectos emocionais e sensoriais: “Mais do que um produto, os clientes estão em busca de experiências cognitivas que agreguem valor emocional à sua vida.”
E citou a concepção dos filmes “Psicose” e “Os Pássaros” por seu diretor, Alfred Hitchcock, como exemplo de projeto de sucesso que unifica a experiência prática à experiência sensorial presente:
“Hitchcock usava dois roteiros, um verde e um azul. O azul era o prático, em que constavam as diretrizes para posicionamento dos atores e os componentes de cena. O verde era composto de todos os aspectos emocionais que deveriam ser abordados. Ou seja, o suspense, os sustos, as músicas, as cores.”
“Esta fórmula pode e deve ser aplicada às marcas e aos produtos, pois a associação de sentidos – quantos mais melhor – ao processo de marketing potencializa a forma como sua empresa será aceita e vivenciada pelos clientes.”
Segundo Lindstrom, a percepção das pessoas para este tipo de recurso é tão sutil que foi utilizada num banco colombiano: “A associação de aromas e sons fez com que os clientes tivessem a sensação de que esperaram atendimento por menos tempo do que realmente esperaram.”
Marcador somático
Você já parou para pensar na capacidade que uma marca tem de estar presente na memória inconsciente das pessoas devido ao uso de elementos sensoriais? Este é o aspecto emocional, intangível, que pesa mais na decisão dos clientes potenciais. Afinal, de acordo com uma pesquisa citada por Lindstrom, foi revelado que a decisão de compra é tomada dentro de um intervalo de apenas quatro segundos.
“Este tempo é insuficiente para que a decisão seja baseada em critérios técnicos ou de qualidade. É a sensação que domina este momento, obedecendo ao fato de que 85% das atividades cotidianas das pessoas são pautadas pelo lado subjetivo e inconsciente do cérebro”, afirmou Lindstrom.